A trajetória de Alícia Vitória, atualmente com nove anos, revela os desafios enfrentados por famílias de crianças que chegam ao mundo antes do tempo esperado. Nascida com apenas 27 semanas de gestação no interior do Maranhão, a menina precisou superar uma longa internação neonatal e continuar recebendo acompanhamento médico especializado durante a infância.
Sua história ganha destaque durante o Novembro Roxo, campanha que, neste ano, chama a atenção para a importância da assistência aos prematuros mesmo depois da alta hospitalar.
Após deixar a unidade neonatal, a família de Alícia recebeu uma nova preocupação. O teste do pezinho apontou suspeita de hiperplasia adrenal congênita, condição que compromete a produção de determinados hormônios e pode exigir tratamento prolongado.
A mãe da menina, Patrícia Raquel Dantas Silveira, relatou que enfrentou dificuldades para compreender o diagnóstico e conseguir informações sobre a doença.
Sem acesso imediato às orientações necessárias, buscou informações por conta própria enquanto tentava garantir o atendimento adequado à filha.
Uma das maiores dificuldades enfrentadas pela família foi a distância até os serviços especializados.
Para garantir as consultas e avaliações médicas, Patrícia precisava percorrer mais de 250 quilômetros com a filha.
Durante os dois primeiros anos de vida, os atendimentos aconteciam mensalmente, incluindo avaliações clínicas e ajustes na medicação. Com o crescimento de Alícia, os intervalos entre as consultas foram sendo ampliados.
A criança também recebeu acompanhamento pediátrico e oftalmológico, além de outros cuidados específicos ao longo da infância.
A situação evidencia uma realidade enfrentada por famílias que vivem em municípios distantes dos centros de referência, onde o acesso a especialistas pode exigir deslocamentos frequentes e custos adicionais.
De acordo com especialistas, crianças nascidas antes das 37 semanas podem precisar de acompanhamento prolongado para avaliação do crescimento, da alimentação e do desenvolvimento neurológico.
O atendimento também deve considerar possíveis complicações associadas à prematuridade e outras condições identificadas durante a infância.
A campanha Novembro Roxo de 2026 reforça justamente essa necessidade, defendendo que a assistência à criança prematura não seja interrompida após a saída do hospital.
A experiência da família maranhense chama a atenção para a importância de fortalecer a rede de assistência materno-infantil, garantindo acompanhamento especializado e acesso aos serviços de saúde também para moradores do interior.
Para especialistas, o atendimento contínuo permite identificar necessidades individuais, orientar familiares e oferecer intervenções no momento adequado.
















