Os resultados mais recentes do Exame Nacional de Avaliação do Ensino Superior (Enade/Enamed), divulgados pelo Ministério da Educação, revelaram um cenário preocupante para o ensino de Medicina no Maranhão. Embora o desempenho insatisfatório de instituições privadas tenha chamado atenção inicialmente, os dados também expuseram fragilidades graves em universidades públicas, especialmente no interior do estado — com destaque para o campus de Pinheiro da Universidade Federal do Maranhão.
O curso de Medicina do UniCeuma obteve nota 2, conceito considerado insatisfatório, tanto em São Luís quanto em Imperatriz. A pontuação coloca a instituição sob risco de sanções administrativas, como restrição de vagas e exigência de planos de reestruturação. O resultado indica falhas estruturais e pedagógicas que podem comprometer a formação de futuros profissionais de saúde.
Entretanto, o desempenho da UFMA em Pinheiro ampliou o debate. O curso de Medicina do campus também recebeu nota 2, entrando na faixa de acompanhamento do MEC. O resultado reforça críticas antigas de docentes e estudantes, que denunciam o abandono do interior pela atual gestão da universidade, marcada pela precarização da infraestrutura, escassez de investimentos e ausência de políticas consistentes de fortalecimento acadêmico fora da capital.

O contraste interno na própria UFMA é evidente. Enquanto os cursos de Medicina de São Luís e Imperatriz alcançaram nota 4 — indicador de bom desempenho —, a realidade de Pinheiro revela desigualdade na distribuição de recursos e prioridades administrativas. A situação tem sido atribuída à concentração de investimentos nos grandes centros e à negligência em relação aos campi do interior, que enfrentam carência de laboratórios, campos de prática insuficientes e déficit de professores.
Na avaliação geral, a Universidade Estadual do Maranhão também obteve nota 4 no curso de Medicina em Caxias, figurando entre os melhores do estado. Já a Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão, em Imperatriz, recebeu conceito 3, considerado regular. A AFYA Santa Inês, assim como a UFMA de Pinheiro, ficou com nota 2 e deverá passar por acompanhamento do Ministério da Educação.
Os dados revelam um contraste claro entre instituições e, no caso da UFMA, evidenciam que o bom desempenho de alguns campi não pode mascarar a precariedade de outros. A nota baixa em Pinheiro funciona como um alerta contundente sobre a falta de planejamento, investimento e compromisso com a interiorização do ensino superior de qualidade.
O cenário reacende o debate sobre a expansão dos cursos de Medicina no Maranhão e a necessidade de maior rigor na fiscalização, mas também expõe a responsabilidade das universidades públicas, que deveriam ser referência em excelência acadêmica. Sem mudanças concretas, os prejuízos recaem diretamente sobre os estudantes e, no futuro, sobre a população que dependerá desses profissionais de saúde.
Em tempos: A UFMA vive um caos completo de gestão. Vários campi do interior têm encaminhado denúncias de abandono, falta de estrutura física e de materiais de higiene e limpeza. Ou seja, um cenário de falência da administração dos campi, com superintendências inoperantes e uma gestão de planejamento que parece inexistente.
Em tempos 2: Recentemente o corpo de um desconhecido foi encontrado enterrado no campus, uma clara demonstração de que a gestão de Fernando Carvalho fracassou: sem planejamento, sem organização estrutural e sem segurança interna.
Ninguém sabe, ninguém viu — e o reitor permaneceu calado: calado estava, calado ficou.
Até mesmo quando um de seus assessores se envolveu com a terceirizada — um caso inédito — ele o manteve no cargo, demonstrando desrespeito à família e às crianças órfãs abandonadas.















