Na próxima terça-feira, 3 de março, um eclipse lunar total deve colorir a Lua de tons avermelhados em diversas partes do planeta, fenômeno conhecido como “Lua de sangue”. Apesar do impacto visual esperado em regiões da Ásia e do Pacífico, a observação no Brasil será limitada e ocorrerá apenas de forma parcial, ao amanhecer.
O eclipse lunar acontece quando a Terra se posiciona exatamente entre o Sol e a Lua, projetando sua sombra sobre o satélite natural. Esse alinhamento ocorre sempre durante a fase de Lua cheia. Quando a Lua entra completamente na parte mais escura da sombra da Terra, chamada umbra, acontece o eclipse total — momento em que ela adquire a coloração vermelho-alaranjada que chama a atenção de observadores e fotógrafos.
Por que a Lua fica vermelha?
Mesmo totalmente encoberta pela sombra da Terra, a Lua não desaparece do céu. Isso ocorre porque parte da luz solar atravessa a atmosfera terrestre antes de atingir a superfície lunar. Nesse trajeto, os comprimentos de onda mais curtos, como o azul, são dispersos, enquanto os tons avermelhados conseguem atravessar a atmosfera e são desviados em direção à Lua.
É o mesmo princípio que explica o céu avermelhado ao amanhecer e ao entardecer. Durante o eclipse, essa filtragem da luz faz com que a Lua ganhe o aspecto dramático que popularizou o termo “Lua de sangue”.
Onde o fenômeno será visível
O eclipse total poderá ser acompanhado:
ao entardecer no leste da Ásia e na Austrália;
ao longo de toda a noite na região do Pacífico;
no início da manhã na América do Norte, América Central e no extremo oeste da América do Sul.
Em contrapartida, partes da Ásia Central e grande parte da América do Sul — incluindo o Brasil — terão apenas a fase parcial do fenômeno. Já na África e na Europa, não haverá visibilidade do evento.
O que será possível observar no Brasil
No território brasileiro, a Lua estará surgindo no horizonte quando o eclipse já estiver em andamento. Isso significa que uma parte significativa do fenômeno ocorrerá antes mesmo de o satélite se tornar visível.
Além disso, o restante da fase parcial acontecerá com a Lua subindo rapidamente no céu e sob a influência crescente da luz do dia, o que deve dificultar a observação em muitas regiões.
De acordo com mapas de visibilidade, áreas mais a oeste do país, especialmente próximas ao Amazonas, terão melhores chances de acompanhar a sombra avançando sobre a Lua. Já em trechos do litoral do Nordeste e do Sudeste — como partes do Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Pernambuco, Sergipe, Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro — a visualização será bastante limitada ou praticamente inexistente.
No Nordeste, Sul e Sudeste, a maior parte do público deverá perceber apenas a fase penumbral, quando a Lua entra na região mais externa da sombra da Terra. Nessa etapa, o escurecimento é sutil e pode passar despercebido a olho nu.
Mesmo sem o espetáculo completo, o eclipse segue como uma oportunidade para observar os movimentos celestes e compreender como a interação entre luz e atmosfera transforma a paisagem do céu — ainda que de forma mais discreta para os brasileiros desta vez.
















