A demissão de Maurício Itapary do comando da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) reacendeu o debate sobre a instabilidade administrativa na área de mobilidade urbana da capital maranhense. Em sua saída, o ex-secretário fez uma declaração enigmática ao comentar sua experiência na gestão municipal: “O mal por si só se destrói”, frase que repercutiu nos bastidores políticos e nas redes sociais.
Com a mudança, a Prefeitura de São Luís anunciou a nomeação de Manuela Fernandes para assumir a pasta. Até então à frente do Instituto de Previdência e Assistência do Município (IPAM), ela chega à SMTT em meio a um cenário marcado por crises recorrentes no sistema de transporte público e pela ameaça de novas paralisações de rodoviários.

Desde o início da gestão do prefeito Eduardo Braide, a Secretaria de Trânsito e Transportes tem sido uma das áreas mais instáveis da administração municipal. Em poucos anos, a pasta passou por sucessivas trocas de comando, com a passagem de diversos gestores, o que compromete a continuidade de políticas públicas e dificulta a implementação de soluções estruturais para o setor.
A saída de Itapary representa mais um capítulo desse processo de rotatividade administrativa. Com isso, a SMTT consolida-se como uma das secretarias com maior número de mudanças na atual gestão, reforçando a percepção de fragilidade na condução de uma área estratégica para a cidade.
As constantes mudanças na secretaria ocorreram em paralelo a episódios de tensão no sistema de transporte coletivo. Greves, paralisações e ameaças de interrupção dos serviços tornaram-se frequentes nos últimos meses, afetando diretamente milhares de usuários que dependem diariamente dos ônibus urbanos.
Especialistas apontam que os problemas do setor vão além de disputas administrativas e refletem desafios estruturais, como o modelo de concessão, o equilíbrio financeiro das empresas, as condições de trabalho dos rodoviários e a necessidade de maior articulação entre Prefeitura, empresas, sindicatos e órgãos de controle.
Ao assumir a SMTT, Manuela Fernandes enfrenta o desafio de estabilizar a pasta e conduzir negociações em um contexto de pressão social e política. A expectativa é que a nova secretária consiga construir diálogo com os diversos atores envolvidos e apresentar medidas capazes de reduzir a instabilidade do sistema de transporte público.
Enquanto isso, a troca no comando da secretaria expõe, mais uma vez, as dificuldades da gestão municipal em lidar com uma das áreas mais sensíveis da administração pública e evidencia que o transporte urbano continua sendo um dos principais desafios de São Luís.















